Comida Afetiva

cozinha afetiva - viajante colorido

O termo “comida afetiva” ou “culinária afetiva” está sendo usado todo dia e cada vez mais, principalmente por chefs de cozinha e cozinheiros que trabalham com o aspecto cultural da comida, mas, ainda há muitas dúvidas e confusões sobre seu significado e objetivos.

O que é comida afetiva? Para que ela serve?

Qual a sua importância?

O fim do gourmet e a valorização da comida afetiva

Já faz um tempo, a tendência era que a gente visse por aí um monte de espaços, food trucks, restaurantes, lanchonetes que se denominavam “gourmet”, você se lembra?

Pois, o universo ouviu as nossas preces e a gourmetização enfim teve sua queda e virou uma coisa cafona (pra mim ela sempre foi) e hoje não tem mais a menor importância.

Na minha opinião, ela só servia para encarecer tudo que você comia na rua, quando, na verdade, o que as pessoas mais gostam é da comida afetiva, aquela comida preparada com carinho, cozinha no fogo, com aroma de comida fresca.

Rita Lobo sempre teve razão ao falar em seu programa: “DESGOURMETIZA!”

A comida afetiva no Brasil (e no mundo)

A “gourmetização” da culinária fez muito sucesso no Brasil entre a classe burguesa (ou por aquelas pessoas que se acham ricas, também chamada “elite brasileira” ou “classe dominante” sabe?).

O motivo é que conforme a nossa herança colonial, fomos enganados e obrigados a acreditar que o que vem de fora tem mais valor do que o que vem da nossa própria terra.

A comida quando é de casa é a comida de verdade.

cozinha afetiva
Quem não pensa na própria casa e no almoço de domingo, vê uma macarronada?

Por muito tempo o Brasil foi (e ainda é) esse exportador não apenas de matéria-prima, mas também de muitos talentos gastronômicos, pessoas que iam para fora do Brasil para estudar e buscar atuação profissional em “grandes restaurantes”.

Muitos ainda dentro dessa crença de que “o bom mesmo é o que está lá fora”, ou com a visão de ir pra fora buscar o que há de melhor e os melhores ensinamentos da gastronomia… e depois retornar ao país e aplicar seus conhecimentos adquiridos seja em grandes restaurantes de culinária internacional ou em restaurantes autorais.

Cansamos disso! Queremos a comida afetiva.

Pois, bem! Chegou uma hora que a tendência do gourmet, do restaurante chique com cara de Europa, dos ingredientes exportados, ficou cansada.

Isso precisava mesmo mudar.

Uma leva de grandes chefs de cozinha brasileiros começaram a olhar para dentro de si e a querer colocar para fora quem eles realmente eram. Onde estavam suas raízes?

Gradualmente começamos a ver uma resposta desses chefs ao “gourmet”, a partir do uso de ingredientes da nossa terra, de técnicas tradicionais da culinária brasileira.

Começamos a ver grandes restaurantes servirem feijoada e baião de dois como prato principal. Coxinha e pão de queijo como entradas, cocada e brigadeiro para sobremesa, por exemplo.

A nossa cozinha foi finalmente valorizada, não apenas na mesa de nossas matriarcas, mas agora também exposta nas ‘vitrines’ internacionais que são os restaurantes autorais de grandes cozinheiros.

Isso tem a ver com a comida afetiva?

Tem, tudo.

Como o próprio nome diz, a comida afetiva é aquela que traz consigo afeto, que tem uma carga emocional, que transporta a história e os sentimentos de quem a faz, que acolhe a quem alimenta.

É a comida da sua mãe, da sua avó, a comida feita às várias mãos, que emociona, que lembra o que você chama de sua casa.

É a culinária que você sente falta quando mora longe de quem se ama.

A comida afetiva com muito amor e, brasileira

No caso do Brasil, a comida afetiva está intimamente ligada com o uso dos produtos da nossa terra e com as técnicas dos nossos povos originários (indígenas) se misturando às técnicas e produtos trazidos pelos povos colonizadores, migrantes e imigrantes.

A culinária afetiva brasileira é tão complexa quanto a nossa história e tão criativa quanto o povo brasileiro precisa ser perante os desafios que enfrentou sempre.

cozinha afetiva
Antecipadamente;
Antes de tudo;
Antes de mais nada;
A princípio;
À primeira vista;
Acima de tudo;
De antemão;
Desde já;
Em primeiro lugar;
Principalmente;
Primordialmente;
Sobretudo;
Primeiramente.
Antecipadamente;
Antes de tudo;
Antes de mais nada;
A princípio;
À primeira vista;
Acima de tudo;
De antemão;
Desde já;
Em primeiro lugar;
Principalmente;
Primordialmente;
Sobretudo;
Primeiramente.
O churras de domingo também é cozinha afetiva, viu?

Finalmente ela ganhou o coração de todos

A maioria tem como definição da riqueza brasileira como uma riqueza estritamente material à qual apenas a classe burguesa tem acesso. O que está errado.

A maior riqueza do Brasil é a sua cultura! Aprendamos isso de uma vez por todas.

O complexo conjunto de conhecimentos que adquirimos e carregamos ao caminhar por essa terra. 

Cada receita da comida afetiva, traz consigo um pedaço da nossa cultura e da nossa identidade, que no final das contas é a herança que temos para deixar neste mundo.

um exemplo de comida afetiva é a Paella, prato espanhol.

Nosso legado é a nossa história…

Com a expressão da nossa cozinha brasileira por grandes chefs de cozinha, o movimento da valorização do que nossa terra dá, do preparo do seu próprio alimento, do resgate de receitas e técnicas familiares, nós não estamos exportando mais apenas nossa matéria-prima e nossos talentos.

Agora também exportamos a nossa cultura. E a comida afetiva.

E cada dia mais tomamos consciência do nosso valor e do nosso poder de transformação interna.

Sabe aquela receita que a sua mãe faz, que ela aprendeu com a sua avó, ensinada pela sua bisavó?

Ou aquela receita que seus tios sempre fazem juntos quando se reúnem? Pergunte como faz, demonstre interesse.

Não deixe essas receitas morrerem. Dessa forma nós estamos contando às gerações futuras não apenas a nossa história individual, mas também a história do Brasil.

Além de Comida Afetiva, outros posts sobre comida dos nossos parceiros:

Viajando com Moisés – Quais os melhores pratos da comida mineira

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