São Paulo

 

Existe amor em São Paulo? Será?

Sim. E é com o refrão de uma das bandas mais icônicas da cena punk dos anos 80 que começamos esse texto em comemoração do aniversário da cidade de São Paulo que hoje completa 467 anos.

Para escrever sobre essa cidade é preciso estar em paz para ter uma relação de amor e ódio porque, ao mesmo tempo que temos uma cena cultural diversa, temos uma disparidade enorme de injustiça social.

Sobre a cidade de São Paulo

São Paulo é pautada em dualidades: o famoso cinza da “terra da garoa” e o céu azul ensolarado para assistir concertos da Orquestra Jazz Sinfônica no Parque do Ibirapuera, o preto e branco do padrão gráfico de suas calçadas criado em 1966 pela arquiteta e artista Mirthes dos Santos Pinto (que veio a falecer em 2020 aos 86 anos), o vermelho e o concreto da arquitetura do icônico prédio do MASP criado pela arquiteta Lina Bo Bardi e que desde 2003, o edifício é protegido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

São Paulo acolhedora. A cidade.

São Paulo recebeu e recebe desde sempre gente de todos os lugares do Brasil e do mundo e parte dessa história é contada no Museu da Imigração no Bras, antiga estação de trem e alojamento que recebia imigrantes que aportavam no porto de Santos e vinham a SP de trem.

Privilégios dos paulistanos. Ou de quem vive em São Paulo

Então, o privilégio paulistano é saber que você pode comer uma belíssima feijoada seja ela vegana ou não, a tradicional massa italiana, pierogi polonês, acarajé e carne de sol ou um delicioso sushi no bairro da Liberdade que, além de ser o reduto do oriente na cidade, tem esse nome devido ao evento histórico onde um soldado, Francisco José das Chagas, seria enforcado no Largo da Forca hoje a Praça da Liberdade, no bairro de mesmo nome.

O crime de Chaguinhas, como o soldado ficou conhecido, tinha sido o de liderar uma revolta em Santos contra o não recebimento dos salários.

Ele era um homem negro que integrava o serviço militar, assim como outros alforriados no século 19.

O que não se esperava era que a corda em que seria enforcado arrebentaria três vezes, fazendo com que a população que assistia ao ato começasse a gritar: “liberdade”.